ABERTURA

João Adibe Marques não se limita a mostrar o que tem. Ele mostra o que faz para ter o que tem. E faz isso todo dia, com o próprio smartphone, alimentando seu Instagram onde é seguido por 3,6 milhões de pessoas.
Resultado? A Cimed cresceu quatro vezes em seis anos.
Não é coincidência. É estratégia.
A pergunta que fica para o empresário brasileiro é simples: você ainda acha que aparecer nas redes é coisa de influenciador?
O TEMA CENTRAL
O dono que aparece vale mais do que o logo da empresa
Durante muito tempo, o empresário brasileiro cultivou um certo distanciamento. Deixava o marketing para a agência, o Instagram para o estagiário e o LinkedIn intocado. A empresa existia. O dono, não.
Isso mudou. E quem não percebeu está perdendo terreno.
Hoje, 57% dos consumidores compram de marcas cujos executivos têm uma presença forte e engajada nas redes sociais. E empresas cujos CEOs são ativos no LinkedIn veem um aumento médio de 22% no valor percebido da marca.
O caso Cimed é o mais didático que temos no Brasil. João Adibe transformou a própria imagem em ativo da empresa. De tanto propagar a companhia, muita gente passou a chamá-lo de João Cimed. "Levo numa boa, porque é exatamente o que eu sou", afirma ele. Não é vaidade. É posicionamento.
E a família inteira embarcou na mesma estratégia. A vice-presidente Karla Marques Felmanas, irmã do CEO, tem 1,3 milhão de seguidores no Instagram. O filho Adibe Marques, apontado como sucessor, tem 395 mil. "Transmitimos muito mais verdade ao divulgar a Cimed", diz João. "Poderíamos contratar influenciadores para isso. Mas nada impede que eles, daqui certo tempo, estejam a serviço dos nossos concorrentes." Essa frase vale mais do que qualquer curso de marketing.
O raciocínio é simples: influenciador contratado é alugado. A marca do dono é própria. Ninguém tira de você a autoridade que você constrói sobre o seu negócio.
Como resume o CEO da StartSe, Junior Borneli, que há 13 anos escreve quatro posts por dia: "Consistência é vantagem competitiva. Quem não se comunica, perde relevância." As primeiras vendas, os primeiros professores e os primeiros patrocinadores da StartSe vieram do LinkedIn. Sem escritório em São Paulo. Sem capital. Só presença digital constante.
O ponto não é virar celebridade. É ser a referência do seu setor antes que o concorrente ocupe esse espaço.
NA PRÁTICA
Você não precisa dançar no TikTok nem postar foto de helicóptero.
Comece com o básico: uma vez por semana, escreva sobre algo que aconteceu no seu negócio. Uma decisão que você tomou. Um erro que te ensinou algo. Uma mudança no mercado que impacta o seu setor.
Escolha uma plataforma só. LinkedIn se você vende para empresas. Instagram ou Tiktok, se você vende para consumidor final.
Consistência por 90 dias faz mais do que uma campanha cara e pontual. E a autoridade que você constrói não some quando o contrato da agência vence.
RADAR
Cimed mira R$ 5 bilhões — depois de faturar R$ 3 bilhões em 2023, a Cimed projeta crescimento acelerado. Parte considerável da estratégia passa diretamente pela presença digital do CEO e da família no Instagram e no TikTok. Marketing de dono funciona em qualquer escala.
LinkedIn ainda é subestimado no Brasil — segundo o CEO da StartSe, conselhos de empresas, executivos e investidores se informam por lá. "É muito comum chegar numa reunião e alguém dizer: li seu post. Isso muda a conversa."
Reputação do CEO atrai talento — 86% dos profissionais consideram a reputação do CEO antes de aceitar uma oferta de emprego. Aparecer bem nas redes não é só marketing. É recrutamento.
ENCERRAMENTO
Sua empresa tem um rosto. Pode ser o seu ou o do concorrente. A escolha é sua.
Bons negócios, Geofre Saraiva