Bem-vindo à Letra e Lucro.

Meu nome é Geofre Saraiva. Sou advogado há mais de uma década, com atuação em direito empresarial, tributário, trabalhista e bancário. Criei esta newsletter por um motivo simples: os empresários brasileiros constroem muito, pagam muito, arriscam muito — e recebem pouco em troca. Informação jurídica de qualidade, sem enrolação, é uma das melhores armas que você pode ter. É isso que você vai encontrar aqui, de 2 a 3 vezes por semana.

E não existe tema mais adequado para estrear do que este.

Em 1867, o homem mais rico do Brasil entrou com pedido de falência. Não porque não sabia fazer negócios. Mas porque o Estado brasileiro decidiu que alguém como ele não poderia prosperar.

Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, construiu a primeira estrada de ferro do país, fundou bancos no Brasil e no exterior, criou a iluminação a gás do Rio de Janeiro, instalou o primeiro cabo telegráfico submarino da América do Sul. Em pleno século XIX, fez o que hoje chamamos de startup de alto impacto — várias delas ao mesmo tempo.

Ele não foi derrotado pela concorrência. Foi derrotado por uma combinação letal que você provavelmente conhece bem: excesso de regulação, crédito caro, preferência do governo por monopólios estatais e uma burocracia que sufocava qualquer iniciativa privada que crescesse rápido demais.

O Banco do Brasil cortou o crédito de Mauá por razões políticas. O governo concedeu monopólios aos seus concorrentes. As concessões que lhe foram prometidas foram revogadas. Cada vez que ele tentava erguer algo novo, aparecia uma lei, um imposto, uma exigência, uma trava.

Mauá morreu pobre. O Brasil perdeu décadas de desenvolvimento.

O que impressiona é que esse roteiro não envelheceu. Hoje, o Brasil cobra uma das maiores cargas tributárias do mundo em desenvolvimento. Tem um dos ambientes de negócios mais complexos do planeta. Um empresário médio gasta, em média, mais de 1.500 horas por ano apenas para cumprir obrigações fiscais. Só para não dever nada ao governo.

Mauá não tinha essa conta para fechar. Mas o Estado ainda estava lá para travá-lo da mesma forma.

A lição não é de pessimismo. É de lucidez. Quem entende as regras do jogo — e usa a lei a seu favor — não joga contra o Estado. Joga com as cartas que tem. E ganha mais do que imagina.

É exatamente sobre isso que vamos falar aqui, toda semana.

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Geofre Saraiva

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